A postura ecologicamente correta, além de uma necessidade, é uma fonte de lucro tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. Por exemplo, a utilização de equipamentos de regulação hídrica pode economizar os gastos com a conta de água em até 50%.
Segundo o estudo realizado pela consultoria Roland Berger Strategy Consultants, em parceria com a Câmara de Comércio Brasil-Alemanha, o mercado sustentável nacional deve crescer, até 2020, entre 5% e 7%. Integrante desta porcentagem está o Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), que encerrou o ano de 2008 com um faturamento total de R$ 42 milhões. O Cietec, maior incubadora da América Latina, apóia a criação de inovações ligadas ao mundo das tecnologias sustentáveis e agrega 163 empresas.
A Sharewater, companhia incubada ao Cietec, no final do ano passado, alcançou lucro de R$ 100 mil. Fundada, em 2006, por estudantes da Escola Politécnica da Universidade Paulista (POLI – USP), a empresa customiza tecnologias de regulação hídrica, telemetria e softwares de controle, para diversos tipos de consumidores. O empreendimento foi criado a partir do Programa de Uso Racional de Água da USP (PURA-USP), que desde sua implantação, em 1997, até 2007 já economizou cerca de R$153 milhões dos cofres da universidade. Segundo o diretor comercial Diogo Carbonari de Almeida, ainda faltam investimentos nos projetos ambientais, tanto universitários quanto empresariais. “No Brasil é sempre um risco abrir o próprio negócio, é preciso iniciativa das empresas para fazer expandir”.
No entanto, o mercado ambiental também movimenta a economia indiretamente com iniciativas como o Aquecedor Solar de Baixo Custo (ASBC) e o Forno Solar, desenvolvidas pela ONG Sociedade do Sol, também incubada ao Cietec. O projeto ASBC visa a implantação gratuita de aproximadamente 40 milhões de aquecedores solares de água, de 200 a 1.000 litros, nos lares usuários do chuveiro elétrico. Augustin T. Woelz, coordenador da ONG, afirma que a concretização do projeto trará vários benefícios tanto financeiros quanto sociais. “O resultado, em dez anos, é um faturamento adicional para a indústria e comércio nacional de R$ 12 bilhões, gerado por uma economia pessoal de 30% por família sem o chuveiro elétrico. Destas 40 milhões, pelo menos 3 milhões de habitações seriam apresentadas ao conforto de um banho com água quente”.
Já o Forno Solar, que está em processo de nacionalização de um projeto franco-chileno, visa agregar melhorias significáveis no Nordeste. “Com o forno, as mulheres não terão que carregar 50kg de madeira nas costas, ela terão tempo para investir nelas mesma, isto liberta às pessoas, além de evitar a derrubada de 6 bilhões de toneladas de madeira”, explica Augustin.
E cada vez mais o mercado tem perspectivas otimistas. “Engenharia ambiental é uma profissão do futuro, aliás, agora já do presente. Todos os olhos estão voltados para isso”, afirma a estudante de engenharia ambiental Denise Castanha Peres.
