A beleza imperfeita da cidade de São Paulo esconde por trás das nuvens de fumaça um sol que disputa lugar entre chuvas, ventos e tempestades e um céu de poucas estrelas.
Num mesmo dia, os paulistanos enfrentam mudanças bruscas na temperatura. Alguns fatores tentam explicar esse fenômeno. Localizada a 750 metros acima do nível do mar, São Paulo sofre influências climáticas vindas tanto do litoral, que está bem próximo, quanto dos planaltos do interior do estado.
No verão, as médias variam de 22ºC a 27ºC, atingindo 34º C em determinados dias e horários. No inverno, as temperaturas médias ficam entre 15ºC e 21ºC, podendo chegar até 6ºC. Entretanto, é comum no verão paulistano a queda da temperatura em até 10º C em poucas horas com a chegada de uma frente fria, ou variações térmicas com dias quentes em pleno inverno.
A temperatura oscilante do clima tropical e subtropical da maior parte do Brasil e as limitações tecnológicas impedem uma previsão mais exata sobre as variações do tempo e eventos climáticos, segundo o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Quando o céu escurece, o cenário muda, trazendo pancadas de chuvas, ventos e trovoadas. E a metrópole acostumada a andar sempre depressa, pára com pontos de alagamentos, recordes de trânsito, falhas na comunicação e no transporte público. Talvez, por esse motivo, em muitas conversas o paulistano insista em questionar sobre o tempo. “Será que vai chover?”
A atmosfera do céu de São Paulo revela o retrato de uma cidade de pedra, onde as cores predominantes são o cinza, o preto e o branco.
Mas, além do horizonte marcado pela camada de poluentes, pelo aquecimento global e pelo dióxido de carbono emitido pelos carros, o cenário da metrópole muda com tons alaranjados, azulados e esverdeados na visão dourada do por do Sol.
O Pico do Jaraguá, que é considerado o ponto mais alto da cidade com 1.135 metros de altitude, em sintonia com o poluído e mal cheiroso Rio Tietê, que atravessa o estado e a capital paulista em seus 1.150 km, parecem amenizar a fotografia da conturbada paisagem urbana.
As edificações, as construções irregulares e o crescimento desordenado, desenham no céu paulistano um espaço estreito de plano de fundo, com formas geométricas e desiguais, entre morros, favelas e arranha-céus.
É certo que as limitações no espaço urbano, o excesso de informações visuais e os apelos publicitários, inquietam e agitam os habitantes da cidade grande, com descreve o fotógrafo e jornalista Antonio Rogério Cazzali. Mas ele acredita que no céu sempre haverá uma beleza para ser vista esteja o dia ensolarado, nublado, chuvoso, poluído ou não. “Nos faz bem observá-lo, pois precisamos de imensidão. Nossos olhos precisam enxergar mais além, como diante do mar,... Isso nos acalma”, diz. Ele cita alguns pontos turísticos da cidade onde o céu é bastante fotografado, como o Parque do Ibirapuera, o Campo de Marte, a vista do edifício Terraço Itália na região central e do elevado Costa e Silva, o famoso “Minhocão”, bastante visitado aos domingos.
A paisagem paulistana é assim, densa, quente, seca, disputada, fria, úmida, tempestuosa e temperamental, mas ainda carrega a fama de terra da garoa de um céu que espelha uma cidade bonita, mesmo sem natureza.
