Noite de sexta-feira. Em frente ao prédio de uma das faculdades mais importantes da cidade de São Paulo, situada na região central, duas garotas, aparentemente sem pressa e com tempo disponível para conversa, fumam vagarosamente um cigarro.
Durante o prazeroso ato, as moças parecem não ver o mundo ao seu redor. Uma conversa forçada é mantida. Calculado palavra por palavra, o diálogo deve durar, no máximo, o tempo que a brasa leva para percorrer o caminho da ponta do cigarro ao filtro e, consequentemente, se apagar.
As duas garotas têm suas mãos ocupadas com utensílios básicos de uma pessoa que vive no estresse que é a capital paulista: cigarro aceso e celular. De repente, uma das amigas interrompe a conversa para atender ao telefone. A outra, em estado vegetativo, espera a moça cessar a breve conversa que mantém com alguém em qualquer parte do globo terrestre para finalmente voltar ao papo que une as duas e o cigarro.
A conversa continua. Os cigarros já estão chegando ao fim, coincidentemente ou não, as duas dão a tragada final ao mesmo tempo. Pronto. Termina a fumaça, os cigarros acabam. Agora as duas andam de volta à parte interior do prédio, provavelmente para estudar. A conversa que elas mantinham durante o fumo diminui o ritmo de forma considerável. Será que o cigarro é o motor que mantém as ideias das duas acesas? Só Deus e os pulmões das garotas sabem.
