O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) atende aproximadamente nove mil ligações diárias e disponibiliza 120 ambulâncias de sua frota para a equipe de socorro que se mantém atenta durante 24 horas, para prestar os primeiros socorros às urgências nas áreas clínica, pediátrica, cirúrgica, traumática, gineco-obstétrica e de saúde mental. Esses profissionais são encarregados de prestar atendimento adequado e encaminhar, quando necessário, os pacientes a um serviço integrado do SUS (Sistema Único de Saúde).
Com o tráfego de veículos cada vez mais intenso nas cidades, as tradicionais ambulâncias demoram cerca de 20 minutos para chegar ao local da emergência, prejudicando vítimas com patologias graves e os casos em que cada minuto perdido é crucial. Foi pensando na melhoria desse atendimento que o Ministério da Saúde, em junho de 2008, gastou cerca de R$8 bilhões na compra de 400 motos com 220 cilindradas, apropriadas para andar em terrenos acidentados, e aparelhadas com sirene e equipamentos médicos. “Usando as motos, esperamos reduzir o tempo médio de espera para dez minutos, que é o mundialmente recomendado”, aposta Paulo Kron, coordenador do Samu.
As ‘motolâncias’, como foram apelidadas pelo órgão, são conduzidas por enfermeiros ou técnicos em enfermagem que já trabalhavam no Samu, habilitados nessa modalidade há pelo menos dois anos e concluintes do curso obrigatório de direção defensiva. Os socorristas carregam materiais para primeiros socorros, para imobilização, desfibrilador externo automático e medicamentos. Eles atuam em duplas, cada moto com um médico e um enfermeiro.
“Eu tomei conhecimento deste serviço assistindo a uma reportagem na TV. Gostei da iniciativa, pois vivemos numa cidade cujo trânsito é caótico e, com isso, fica muito difícil atender com eficiência e rapidez os acidentados através da ambulância”, aponta Thiago Gomes da Silva, de 24 anos.
A novidade ainda não é muito conhecida pela população, mas tem tudo para garantir sucesso e eficácia no resgate de vidas realizado pelos profissionais. A estudante Larissa Oliveira, de 20 anos, já pôde presenciar o ágil deslocamento desta equipe e relata: “Vi um acidente muito horrível e elas [motolâncias] chegaram rapidamente, fazendo o atendimento necessário na rua mesmo. Após muito tempo a ambulância chegou, isto poderia ter sido mortal”.
Na grande São Paulo apenas algumas das 80 unidades disponíveis já circulam e o serviço será implantado por completo em 2010. O atraso na concretização do projeto se deu devido à falta de profissionais aptos para o serviço. Tamanha é a importância do pronto-atendimento, que alguns estados do Norte do país receberão a versão náutica das ambulâncias, as chamadas “ambulanchas”, que servirão cidades ribeirinhas como Manaus.

