Embora seja uma intervenção realizada com muita segurança a cesariana tem que ser considerada como um processo cirúrgico. Exatamente por isso pode apresentar um maior ou menor índice de complicações. Podem ocorrer riscos de infecções, hemorragias, hematomas, lesão de órgãos, dores, aderências, indicação para outras cesarianas e até de mortalidade tanto para a mãe quanto para o bebê”. A afirmação é do Dr. Cláudio Basbaum, ginecologista e obstetra adepto do chamado “Parto Leboyer”, que busca promover o nascimento sem violência.
Existem profissionais que são contra essas idéia. Entre outros motivos eles alegam que quem defende o movimento humanista peca pela falta de formação adequada. "Os exageros vêm de ambos os lados. A questão é que o curso brasileiro de obstetrícia para enfermeiras não é suficiente para dar respaldo científico a elas. Por esse motivo a indicação de cesárea ou de parto normal não deve partir da enfermeira, mas sim do médico", diz o obstetra Laudelino Lopes. A palavra Humanizar, conforme define o Dicionário Aurélio, vem da expressão “humano + -izar”. Em outras palavras, tornar humano, dar condição humana a, tornar benévolo, afável, tratável, fazer adquirir hábitos sociais polidos, civilizar, amansar animais.
A idéia do Parto Humanista surgiu timidamente nos anos 1970, com o objetivo de recuperar o parto como algo natural, já que ele tinha se tornado muito mais um tema hospitalar. Hoje o movimento apresenta avanços reais e um número crescente de adeptos. A humanização do parto defende que o nascimento deve ser o mais natural possível, com o mínimo de interferência humana.
O Núcleo Nove Luas, uma organização localizada em São Paulo no Bairro do Brooklin tem como objetivo promover uma atitude positiva, ativa e consciente em relação ao processo de gestação. Sempre lutando e defendendo a conscientização das mulheres sobre a fisiologia natural do parto, sua dimensão afetiva e social, sua importância existencial e de transformação, focando a capacidade feminina de dar a luz. Promove uma visão do parto e da assistência obstétrica centrada nas necessidades das mulheres, na confiança de seu corpo, no respeito e suas determinações.
O principal ponto a ser atingido pela Organização Humanista é justamente contribuir com a diminuição do número de cesáreas no Brasil e finalmente acabar com a indústria de partos que existe atualmente.
A enfermeira obstetra Marilanda Lopes de Lima, ativista no movimento de humanização do parto, pensa diferente. "A gente está travando uma verdadeira guerra com os médicos, porque há anos o parto foi transformado em doença e industrializado pela medicina. Se há um movimento contrário a isso, o médico perde poder e status. Não foi à toa que o Conselho Regional de Medicina entrou com um processo contra as enfermeiras obstetras", afirma.
