Tiroteios em meio à favela, invasão de casas à procura de armas ou drogas, captura de bandidos perigosos, foragidos da justiça, são situações corriqueiras que já não abalam o delegado Marcelo Ribeiro, 40 anos, que prestou concurso e se tornou policial contra a vontade da família e dos amigos, “eles achavam que eu iria correr muito perigo”, conta. E é assim que Marcelo já está na profissão há 15 anos. “Acredito que tenho uma espécie de faro para o crime”, confessa. Mas a vocação só tomou forma com o nascimento de sua primeira filha, a necessidade de um emprego estável e uma condição financeira melhor foram critérios decisivos para a realização do sonho que guardava há tempos.
No entanto, diante dos perigos a que sempre está exposto, a idéia de desistir da profissão já passou diversas vezes pela sua cabeça, afinal ele está sempre colocando em risco não só a própria vida como a de seus familiares. Especialmente no dia em que, ao lado de um colega, cumpria missão em um local tido e havido como altamente perigoso. Quando perceberam estavam próximos ao local onde se encontrava um assaltante. Assustado com a aproximação da viatura policial o assaltante sacou de sua arma e atirou, acertando seu companheiro Renato que, apesar de ser socorrido na hora acabou morrendo em função da gravidade dos ferimentos que sofreu.
Ao contrário do que pode parecer, ter parente policial não representa nenhuma segurança, pois esses familiares constantemente são alvos de ações criminosas. “Sempre oriento meus filhos que evitem dizer que o pai é delegado de polícia, pois a vida vai ficar em perigo caso sejam vitimas de assaltos, por exemplo”, diz o delegado. Apesar dos riscos, Marcelo sente-se gratificado por poder ajudar aos outros e acredita que foi feliz na escolha de sua profissão. “Afinal, pelo menos eu sei que os nossos dias nunca são iguais”, conclui.
