EDITORIAS
Cidades
Ciência e Educação
Comportamento
Comunicação e Arte
Cultura e Lazer
Esportes
Meio Ambiente
Moda e Beleza
Oportunidades e Eventos
Saúde
Tecnologia
ESPECIAIS
Entrevistas
Espaço do Leitor
Ex-alunos
Interagindo
Jornalismo Literário
Professores FIAMFAAM
TCC
OPINIÃO
Artigos
Colunas
Críticas
Crônicas
SERVIÇOS
Informativo
RSS
Fale Conosco
INSTITUCIONAL
Sobre o Jornal
Expediente
Direitos Autorais
Termos de uso
Jornalismo FIAMFAAM
Comportamento



Publicada em: 04/02/2010
Uma lição de Valor
O voluntário costuma receber muito mais do que realmente doa ao próximo

Rose Machado Moraes Vai ficar parada aí, o dia todo? Você quer ou não quer ajudar?”. Essa “bronca” que Rose Machado Moraes ganhou do pai quando tinha apenas 9 anos de idade mudou a sua vida. Ela morava em Cubatão, baixada paulista e ficou muito alegre quando viu que um circo havia chegado à sua cidade e ficaria bem defronte à sua casa. Curiosa, Rose notou que em meio ao corre-corre para levantarem a tenda do circo o mais rápido possível havia uma mulher com um bebê no colo. Afobada, com tanto trabalho, precisando ajudar naquele momento tão difícil do circo, a mulher se via obrigada a colocar e abandonar o bebê numa bacia. Bebê que deveria ter um ano de idade, no máximo. A mulher corria, então, para puxar cordas, fazer o que tinha que ser feito. Entre uma arrumação e outra dava uma olhada no filho.

Rose conta que estava no portão de sua casa onde literalmente montou acampamento, assim como o circo, ficava contemplando a cena. Entendeu que sua tarefa era observar a criança. “Eu não iria sair daquele portão de jeito nenhum, pois estava preocupada com o bebê. Desde cedo já nutria verdadeira paixão por essas pessoinhas tão fofas e cheirosas”, desabafa.

Foi naquele dia que Rose aprendeu o significado da palavra ajudar. “Lembro que meu pai, me vendo no portão, angustiada, me disse: “Vai ficar aí, parada, o dia todo? Quer ou não quer ajudar?” Foi a chave. “Crie coragem e vá até a grade do circo. Pergunte se você pode cuidar do bebê para a moça...”, disse ele. Rose seguiu o conselho de seu pai e durante todo o tempo em que o circo esteve ali o bebê ficou em sua casa. “Cuidei dele com todo o carinho. E nossos dias foram alegres e felizes. Aí eu senti como é bom ajudar ao próximo”, conta, com lágrimas nos olhos.

Rose, a criança que aprendeu a ajudar, cresceu, conheceu Paulo, casou-se e veio para São Paulo. Tem uma filha, Bruna. Esposa e mãe cuida do lar, mas sua vontade de auxiliar os demais cresceu junto. E ela não abriu mão disso. Já atuou em diversas áreas como voluntária. Auxiliou enfermos na Casa Abrigo em Mauá, ajudou na alimentação, no banho, na troca de roupas. Ficou ano e meio nesse trabalho que desenvolvia toda semana. Saiu de Mauá foi ajudar na instituição mantida pela Igreja Consolata Imirim, no Hospital Emilio Ribas. Durante seis meses fazia acompanhamento a crianças portadoras do vírus HIV. E continuou sua trajetória fazendo visitas semanais, contando histórias, lendo para crianças, participando de aulas de teatro, evangelização infantil. Também ajudou no acompanhamento à gestantes na Comunidade Jardim Damasceno Pastoral da Criança, trabalhou e ajudou famílias de detentos do presídio do Carandiru, de tão triste memória. Durante um ano, a cada 15 dias se deslocava até Mogi das Cruzes para a casa banho dos moradores de rua, além de já ter colaborado com o Hospital dos Leprosos na cidade de Itú, na instituição espírita Bezerra de Menezes.

Rose carrega muitas lembranças de toda essa vida vivida em prol do próximo. “Tenho tantas histórias para contar que você nem imagina. Uma, porém, me marcou mais. Estava na ala infantil do Hospital Emilio Ribas quando vi um garoto de uns 10 anos, muito debilitado, em uma poltrona no corredor. Ele se recusava a comer e tomar medicamentos. Não permitia que ninguém chegasse perto. Nem os médicos nem enfermeiros conseguiam fazer nada. Ele ficava encolhido, mudo, com a cabeça no meio das pernas. Numa madrugada eu estava com um bebê no colo, e cantava baixinho para ele dormir. Percebi que o menino, que continuava apático em sua cadeira, levantou a cabeça, me olhou e deixou que algumas lágrimas caíssem pelo seu rosto magro. Coloquei o bebê no berço e fui até onde estava o menino. Puxei uma cadeira, me sentei ao lado dele. Ele já estava de volta à mesma posição de sempre. Fiquei ao seu lado e comecei a cantar como tinha feito com o bebê. Ele levou seu dedo indicador até o meu braço e me fez um carinho. Sem levantar a cabeça. Eu retribuí. Foi quando o menino me falou baixinho, ao pé do ouvido: “Tenho fome de mãe. Me põe no colo?” Depois desse dia ele aceitou o tratamento”. Rose chora emocionada.

No momento ela está afastada dos seus afazeres de voluntária. Ainda assim procura ajudar no Instituto Espírita Maria de Nazaré. “Estou sentindo que estou convalescendo, como um enfermo que necessita de um remédio e ninguém se prontifica a dar a ele. Em meio a todos esses trabalhos que já desenvolvi ainda tenho o sonho de construir um berçário para cuidar de crianças de colo. Eu amo ajudar, mas meu foco são os bebês. Assim poderia ajudar aquelas mães que precisam trabalhar e não têm onde deixar seus filhos”. Por que tanta dedicação ao próximo, Rose? É a pergunta que todos lhe fazem. “Não conte para ninguém, mas o voluntário costuma receber muito mais do que realmente doa ao próximo”, responde sorrindo.

Publicada por
ELISÂNGELA MORAES SANTOS
Voltar
Que maiô é esse que tanto incomoda César Cielo?       Bienal do livro não deu espaço para ricos e pobres       Pets também sofrem com o tempo seco       Ministro do STF concede liminar que libera sátira       Faz cem anos que é nóis mano!       21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo – Ponto de Encontro da Cultura e do Lazer       Um doce veneno?       Migração para o Canadá       Uma oportunidades válida para o país e para o futuro de muitos jovens.       Candidatos artistas dividem a opinião dos eleitores