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Publicada em: 01/03/2010
Pancadaria subterrânea
O dia em que o metrô virou pancadaria e muita confusão

Tomei um soco na cara e uma cotovelada no peito”. A frase parece relatar uma luta num ringue, mas a cena aconteceu dentro de uma estação do metrô de São Paulo. “Não tinha para onde correr porque era horário de pico e a plataforma estava lotada. Sobrou pra todo mundo, teve sangue e até polícia”, conta Débora Ferreira, 22, estudante e testemunha de uma das maiores brigas já ocorridas em locais públicos.

Em um, até então, calmo final de tarde, Débora ia para a faculdade. Como de costume, a jovem embarcou na estação Carrão e desembarcou na Sé, onde faria baldeação e seguiria viagem. Quando chegou na plataforma viu que estava muito mais cheia do que de costume, e ainda notou uma agitação diferente. “As pessoas estavam irritadíssimas porque tinha dado uma pane no sistema e os trens estavam demorando o triplo do tempo pra passar”, relata. “Minutos depois chegou um trem e todos queriam entrar. Aí foi que começou a confusão: homens se espremiam entre mulheres e idosos sem respeito algum, só se importavam em entrar”.

Não bastassem todos os empurrões que levou na hora, a estudante diz que o pior aconteceu. “No meio do empurra-empurra dois rapazes se estranharam e começaram a brigar mesmo. Teve soco e pontapé, e tudo isso no meio de todo mundo”, relembra assustada. “Muita gente começou a gritar, mas eles não se soltavam, foi um inferno. Quem estava perto, como eu, acabou apanhando também. Foi desesperador”. Em meio à confusão, a polícia foi acionada para conter o tumulto. “Não sei como a PM chegou até lá, só sei que além dos dois encrequeiros, que saíram com os rostos ensangüentados, três mulheres também foram retiradas porque no meio daquela desordem toda não conseguiram sair de perto e acabaram um pouco machucadas também”, diz.

Débora conta que, infelizmente, é normal haver pequenos tumultos nos horários de maior movimentação no metrô. “As pessoas não querem saber de nada, não se preocupam em não machucar quem está do lado, só querem embarcar e pronto. Idosos, crianças e mulheres grávidas têm até um vagão especial, mas às seis da tarde ali fica lotado também. Naquele dia cheguei na aula dolorida e descabelada, foi uma tarde pra nunca mais esquecer”, finaliza.

Publicada por
FLAVIA LIMA GOMES NASCIMENTO
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