Para quem não sabe, o Lar Bussocaba é grande e tem dois andares, um para os homens e outro para as mulheres. Fica na cidade de Osasco e abriga por volta de 50 pessoas. As enfermeiras dizem que homens e mulheres não podem se misturar porque gostam muito de namorar. Mas uma vez ou outra eles se encontram sob os olhares atentos das responsáveis. A jovem Lidiane Delbone, 24 anos, adora visitar o Lar Bussocada. "Comecei a ir lá por acaso, quando tive que fazer um trabalho para a faculdade sobre o problema da velhice", conta. Lidiane é formada em Marketing.
Foi no Lar Bussocaba que ela viveu um dos momentos mais marcantes da sua vida. “Quando cheguei lá percebi que um de meus amigos já não estava presente. Foi um dos dias mais tristes que já vivi. O Sr. Fuadd era como um pai para mim. A gente conversava bastante, ele me contava várias histórias. Eu me sentia bem com ele, e pelo visto, ele comigo. Chorei muito, mas é uma situação para a qual devemos estar preparados”, lembra a jovem.
Boa parte das pessoas que vivem no asilo não tem família. No contato com visitantes elas voltam a ser crianças, fazem de tudo para chamar atenção. Pedem bonecas, brincos, maquiagem, gostam de ouvir música, dançar. Se bem que, às vezes alguns chegam a ser agressivos.
As situações são bem dolorosas, tem pessoas idosas que andam em cadeiras de roda e algumas nem saem da cama. Outras adoram jogar baralho enquanto uns tantos não vivem sem um cigarrinho.
As enfermeiras contam que se dedicam mais a eles do que à sua própria família. Gostam do que fazem, sabem da sua importância naquela comunidade. Muitos dos asilados vivem presos ao passado, falam coisas que ninguém tem como saber se são verdadeiras ou não. Alguns recebem visitas de alguém muito próximo, enquanto outros esperam por parentes, nem que sejam distantes.
Quando vai, Lidiane leva roupas, acessórios, fraldas, panos, mantimentos. “Eles são a minha paixão. Adoro cuidar um pouquinho de cada um deles. Alguns nem falam, mas basta olhar para os olhos deles para entender o que eles querem me dizer. Gosto mesmo de ver o sorriso. Essa é uma demonstração de carinho que não tem preço”, diz a jovem.
Lidiane já fez até bazar beneficente para ajudar outras instituições. “Eu gostaria de ajudar a todos, mas ainda não posso, mas nem por isso deixo de ajudar os que estão a minha volta. Cada um pode fazer a sua parte”, alerta.
