Saltar de corrimão, pular de grandes alturas e fazer manobras desprovidas de qualquer equipamento são atividades triviais aos adeptos do esporte Le Parkour. Criado a partir do Método Natural de Educação Física, pelo francês George Hébert, o esporte começou a ser praticado nos treinamentos militares. Por se tratar de uma modalidade que promove as qualidades de resistência orgânica, musculatura e velocidade, em função de poder andar, correr e pular, o Parkour se tornou uma atividade de grande destaque na França. Em meados da década de 1980, o esporte foi definido e aprimorado pelo também francês e desportista David Balle.
O Parkour teve início no Brasil a partir de 2004. De lá pra cá, vários atletas se juntaram para formar grupos de praticantes do esporte. Esses atletas possuem um nome: traceurs. São Paulo é considerada a cidade onde se encontra o maior número de traceurs. Eles se exercitam principalmente em parques com grande área verde e bastante espaço o que possibilita um melhor desempenho. O centro da cidade com suas escadarias e muros também serve de cenário para a prática. Hoje o número de traceurs que existe pelo país é incontável.
Um deles é Jean Wayner. Com apenas 26 anos, Jean começou a praticar o esporte em julho de 2004. A partir de então, ele se tornou um dos mais experientes dessa modalidade no Brasil. Entre 2006 e 2008, foi presidente da ABPK (Associação Brasileira de Parkour), porém com outros objetivos em mente, Jean precisou abdicar do cargo. Hoje ele faz parte da diretoria da ABPK e é o único representante em São Paulo. Além da sua profissão de programador de sistema, Wayner dedica-se aos ensinamentos para crianças e jovens interessados no esporte.
Diferentemente dos outros esportes, nessa modalidade não há competição. Segundo Wainer “a competição é de você contra você. Buscamos sempre superar os nossos próprios limites, e não os limites dos outros. A partir do momento que vira competição, começa-se a criar regras e restrições”.
Até hoje o esporte de origem francesa é alvo de preconceito. Muitas pessoas ainda possuem um estereótipo pelo fato de haver semelhança com o vandalismo. No entanto, ao contrário do que essas pessoas pensam, o Parkour é um estilo de vida, uma espécie de subterfúgio àqueles que procuram se desvincular dos problemas que assolam o cotidiano de cada um de nós. É dessa maneira que os traceurs veem o esporte. Além do preconceito, há também a interposição de algumas autoridades. “A polícia não implica, tem policial que prática com a gente. O problema maior é com os guardas, por eles serem responsáveis de zelar pelo local”, explica Wayner.
Apesar de ser uma modalidade que trabalha demasiadamente a força muscular e a velocidade, privilegiando assim o sexo masculino, as mulheres também lutaram pelo seu espaço. Ainda é pequeno o número de garotas que exerce o esporte, porém em alguns parques da capital paulista é possível notar a presença delas. Cínthia Adriana Alves, 22, é praticante há dois anos. De acordo com ela, “no começo havia um certo repúdio em relação à mulher praticar Le Parkour, mas com o tempo nós fomos adquirindo confiança até estabelecer um respeito mútuo entre homens e mulheres”.
Para aqueles que pretendem praticar Le Parkour, eles indicam vestir roupar leves, calça do tipo moletom e um tênis bastante confortável. Quanto à alimentação, o esportista poderá continuar consumindo sua refeição normalmente, mas eles aconselham ingerir muita água. Qualquer pessoa pode iniciar a prática do Parkour. Não existe restrição alguma quanto a sexo, idade, peso e altura. O que é necessário é ir com calma, dando tempo ao desenvolvimento natural e respeitando seus limites.
Segundo os praticantes de Parkour, este esporte serve, principalmente, para abrir sua mente, além de desenvolver cordenação motora e musculatura. Para o assistente técnico administrativo Herbert Santana da Silva, 24, quando se começa a treinar e se aprofundar no assunto, tudo muda. "A escadaria que você sempre usa, o corrimão, o muro, mesa de praça, tudo parece um obstáculo, e nisso eu levo para minha vida, nesse esporte, ou filosofia como dizem, ele te ensina que os problemas ou os obstáculos que aparecem no meio do caminho não são impossíveis de resolver”, garante.
Assim como em outros esportes, no Parkour aprendem-se determinadas lições. O respeito pelo outro e a convivência com diferentes pessoas e costumes são algumas dessas lições que podem servir de filosofia. Enfim, podem-se dizer que a maior virtude de praticar um esporte como o Parkour é o desafio de alcançar novas metas, novos perigos e com isso poder ter a sensação de ser livre.
